sexta-feira, 18 de março de 2011

Jejum é Colocar Deus em Primeiro Lugar


No início da história da igreja, o jejum era considerado uma das colunas da religião cristã. O jejum era uma parte essencial da fé.
Jejum não é mera abstinência de alimentos ou de qualquer outro prazer, por si mesma. É abstinência com propósito.
Geralmente, jejuar significa abster-se do alimento, mas podemos também nos abster de outras coisas . Jejuar é voluntariamente abrir mão de algo que seja inofensivo em si mesmo, para o fim de crescer espiritualmente. Não se aplica necessariamente só ao alimento. Aplica-se a qualquer coisa que o homem natural possa desejar.
Então jejuar significa colocar Deus realmente em primeiro lugar quando se ora, desejar Deus mais do que se deseja comer, mais do que dormir, mais do que ter comunhão com outros, mais do que correr atrás de negócios. Como um cristão pode saber se Deus está em primeiro lugar na sua vida, se em algumas épocas ele não deixa todas as outras obrigações e prazeres para se separar inteiramente para buscar a face de Deus?

O Jejum Confere Uma Força Adicional à Oração

Oração sozinha pode ser algo muito superficial. O jejum é uma evidência da nossa sincera intensidade e do nosso fervor. Para fazer até mesmo uma oração normal, precisamos ter fé, pois é necessário que "aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe..." (Hb 11.6). Mas para jejuar é preciso ter mais fé ainda. O jejum requer um desejo maior, uma determinação e uma fé maiores, e Deus observa isto quando vê seus filhos orando e jejuando.
Jejuar é deixar de lado todo peso e embaraço (Hb 12.1). Deixar os pesos é tirar todo empecilho à oração, e uma barriga cheia é um empecilho. Experimente orar com estômago vazio, e veja o quanto é mais fácil prevalecer em oração.

Quando começamos a orar e jejuar, significa que nos separamos seriamente à questão de orar com persistência, e que não aceitaremos ser negados. Sem dúvida alguma, o povo de Deus veria muito mais respostas à oração, se deixassem mais refeições e passassem o tempo em oração. O jejum não só reforça a oração, e constitui-se uma prova de maior intensidade, mas o jejum por si só é uma oração. Jejum torna-se oração para o cristão que está voltado para Deus.
Entre outros benefícios espirituais que resultam do jejum, um dos maiores é que jejuar ajuda a gerar fé. Nossa incredulidade é muito maior do que reconhecemos. É como um inimigo invisível e poderoso. Embora pareça difícil no princípio compreender, a própria fraqueza que se sente no jejum edifica nossa fé. Quando parece que estamos perdidos no escuro durante o jejum, e talvez o diabo venha cochichar que não está adiantando nada, esta é a hora em que sua fé está se edificando, pois Paulo diz: "Quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12.10).
Jejum é um auxílio poderoso para a oração. Se suas orações não são respondidas, acrescente jejum à oração. Você não buscou ao Senhor "com todo coração" enquanto não tiver separado um tempo prolongado de oração com jejum. Muitos cristãos oram há anos a respeito de certos problemas. Às vezes estas orações não são respondidas. Mas em muitos casos onde o jejum foi acrescentado às orações, além de profunda consagração e sondagem do coração diante de Deus, a resposta tem chegado sobrenaturalmente. Quando ligada ao jejum, a oração tem um poder muito maior. Não estamos afirmando que o jejum sozinho produzirá respostas milagrosas. Mas prepara o coração através de humilhação, de uma forma que nenhum outro meio pode fazer.
Junto com o jejum virão poder e liberdade na sua ministração da Palavra, se você é um pregador. Ao manter a carne em sujeição através do jejum, o espírito é vivificado – e o oposto também é verdadeiro. A tragédia é que tantos cristãos ainda continuem no seu estado espiritual sem poder, por não querem abrir mão das suas três refeições diárias, quando está ao seu alcance a chave da solução. Certamente, é necessário ter determinação para praticar o jejum, mas Deus não nos pediria para fazê-lo se fosse algo impossível.

Em Tempos de Crise "Santificai um Jejum"

Três vezes nos primeiros dois capítulos de Joel, Deus ordena o jejum (Jl 1.14; 2.12,15). O profeta Joel afirma que quando o momento é de desespero, Deus mesmo exorta seu povo a buscar auxílio dele. "Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns..." (2.12). "Santificai (ou promulgai) um jejum" (1.14).
Isto nos ensina que é certo nestes momentos marcar um dia para que todos jejuem em conjunto. Algumas pessoas dizem que concordam em jejuar quando "o Senhor colocar o desejo no coração". Mas as outras coisas na nossa vida não funcionam assim. Não esperamos sentir o mover de Deus para comer. Não esperamos um toque do Espírito para pagar o aluguel. Que outro sentimento precisamos ter da parte de Deus, quando em tempos de crise, ele já ordenou três vezes em dois capítulos que o façamos!

"Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns..."

(Joel 2.12).

domingo, 13 de março de 2011

ORIENTAÇÕES SOBRE A QUARESMA


“A Quaresma faz memória do Cristo, em seus quarenta dias pelo deserto, revivendo, na própria experiência, os quarenta anos do povo de Deus também no deserto. Com ele subimos a Jerusalém, percorremos o caminho da cruz, passamos pela morte até chegarmos à nova vida, dom do Pai, pelo Espírito.

Neste tempo, somos chamados a assumir a penitência como método de conversão e unificação interior, como caminho pessoal e comunitário de libertação pascal. É necessário fazer da Quaresma um momento propício para a avaliação de nossas opções de vida e linhas de trabalho, para corrigir os erros e aprofundar a dimensão ética da fé, abrindo-nos aos outros e realizando ações concretas de solidariedade.

É tempo forte de escuta da Palavra, pois através dela vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade”.

Estamos na quaresma! O espaço da celebração está sensivelmente vazio, sem flores e sem ornamento, apenas ostentando a cor roxa e discreta iluminação.

Nenhum ruído ou sinal de ansiedade por parte de cantores, tocadores e demais ministros e ministras da celebração. Nenhuma improvisação de última hora. O que predomina neste tempo é o silêncio, como um convite à oração.

Em tom solene, mas com pouco instrumento musical, dá-se início ao canto de abertura, cantado fervorosamente por toda a assembléia, enquanto ministros e ministras entram em procissão, trazendo em destaque a cruz (processional).

A atuação de ministros e ministras – conscientes e interiormente centrados no mistério – permite à assembléia participar ativamente, prestar atenção em cada palavra e gesto, apropriar-se e deixar-se impregnar dos elementos que compõem a liturgia quaresmal com seu sentido próprio.

Neste sentido queremos dar algumas orientações da Paróquia:

1. O tempo da quaresma vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.

2. O espaço litúrgico seja despojado e sóbrio. Os vazios e as ausências nos ajudam a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte. Então não deveremos decorar a Igreja com flores. E para manter esse ambiente despojado NÃO SE DEVE BATER PALMAS DURANTE a quaresma. Deixemo-las para o tempo pascal...

3. Ausência do Aleluia. Durante a Quaresma, a Igreja deixa de proclamar o Aleluia, para entoá-lo solenemente na vigília pascal, enfatizando assim a importância e o caráter festivo da Páscoa.

4. Instrumentos musicais. Os instrumentos musicais são permitidos apenas para sustentar o canto.

5. Momentos de silêncio, principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes.

6. A cor litúrgica da Quaresma é a roxa, que expressa a dimensão maior de penitência e disposição à conversão.

7. Os cantos e melodias expressam o sentido próprio do mistério celebrado; por isso, cuide-se para que não apenas deixem de ser cantados o Glória e o Aleluia, mas que, tanto no conteúdo quanto no ritmo e no uso dos instrumentos, eles sejam uma verdadeira expressão da Quaresma.

8. Podem fazer abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade; o jejum e a abstinência são para todos os maiores de idade (quem completou 18 anos) até os sessenta anos.

9. “No Brasil, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

10. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência.

“A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia”.

Boa vivência quaresmal para todos!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Tempo da Quaresma (CNBB-DL/2011)



Vai da quarta-feira de Cinzas (09/03/2011) até a missa da Ceia do Senhor, exclusive (21/04/2011). É o tempo para preparar a celebração da Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese litúrgica esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais freqüência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal” (SC 109).

· Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores, o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.

· A cor do tempo é roxa. No Domingo Laetare, pode-se usar cor-de-rosa. (IGMR nº308f)

· Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.

· Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.

· As memórias obrigatórias que ocorrem neste dia podem ser celebradas como memórias facultativas. Não são permitidas missas votivas (devoção particular).

· Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasia pompa.

(Fonte: Diretório da Liturgia 2011 da CNBB)

terça-feira, 8 de março de 2011

CARTA ÀS MULHERES

A vós, mulheres do mundo inteiro, a minha mais cordial saudação!

1. A cada uma de vós dirijo esta Carta, sob o signo da solidariedade e da gratidão.

(...)

Gostaria agora de me dirigir diretamente a cada mulher, para refletir com ela sobre os problemas e perspectivas da condição feminina no nosso tempo, detendo-me em particular sobre o tema essencial da dignidade dos direitos das mulheres considerado à luz da Palavra de Deus.

O ponto de partida deste diálogo ideal não pode ser senão um obrigado. A Igreja — escrevia na Carta apostólica Mulieris dignitatem — « deseja render graças à Santíssima Trindade pelo "mistério da mulher" — por toda a mulher — e por aquilo que constitui a eterna medida da sua dignidade feminina, pelas "grandes obras de Deus" que, na história das gerações humanas, nela e por seu meio se realizaram » (n. 31).

2. O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.

Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do « mistério », à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta « esponsal », que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.

(...)

(João Paulo II)

quinta-feira, 3 de março de 2011

CNBB abre Campanha da Fraternidade na Quarta-feira de Cinzas


Na próxima quarta-feira, 9, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente a Campanha da Fraternidade 2011 (CF), que tem por tema: “Fraternidade e a Vida no Planeta” e lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). O ato de lançamento nacional, aberto à imprensa, acontece no auditório Dom Helder Câmara, na sede da CNBB, em Brasília, às 14h30, e será presidido pelo secretário geral da Conferência dos Bispos, dom Dimas Lara Barbosa.

A programação será bastante objetiva, iniciando com a apresentação da mensagem do papa Bento XVI, saudando a Campanha. Em seguida, o secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, exporá os objetivos da Campanha, bem como a dinâmica de sua realização nas dioceses, paróquias e comunidades do país. O secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, encerra o ato falando sobre as expectativas da Igreja com a Campanha. Terminada a cerimônia, dom Dimas atende os jornalistas, numa coletiva de imprensa.

Esta é a 47ª Campanha da Fraternidade desde que foi criada em 1964. A conscientização sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas está entre os principais objetivos da Campanha. A busca de ações que preservem a vida no planeta é outra meta da CF.

Com 124 páginas e dividido em quatro partes, o texto-base, carro-chefe da CF, apresenta o conteúdo a ser discutido ao longo da Campanha. Na primeira, faz uma análise da realidade procurando estabelecer as causas do aquecimento global e das mudanças climáticas. Toca na relação que há entre o aquecimento global e as atividades humanas; questiona o modelo energético do país; denuncia o desmatamento e as queimadas, responsáveis por 50% da emissão de gases de efeito estufa no Brasil; interpela o agronegócio e o atual modelo de desenvolvimento. A Campanha vai alertar, ainda, para a ameaça à biodiversidade e para o risco da escassez de água no planeta.

A segunda parte do texto-base busca na bíblia, na teologia e na palavra da Igreja a fundamentação do tema e do lema da CF. Já na terceira parte, aponta diversas atitudes que podem ser tomadas por pessoas, comunidades, governo, empresas e instituições, com o objetivo de preservar a vida no planeta terra.

Para o secretário geral da CNBB, a Igreja é motivada pela fé quando discute temas como o proposto pela CF deste ano. “A fé nos torna específicos numa discussão como essa. A nossa fundamentação é teológica e se baseia no próprio projeto de Deus para com a criação e para com o ser humano”, explica dom Dimas. “A ecologia humana é um tema fundamental trazido pelo papa João Paulo II e, depois, por Bento XVI. De acordo com o papa, o centro do universo está na pessoa humana e, muitas vezes, as políticas públicas não levam em conta esses dois pontos, principalmente as pessoas mais vulneráveis, os mais pobres”, acrescenta.

O secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, diz que a preocupação da Igreja com o meio ambiente está ligada à sua missão de defender a vida. “A Igreja demonstra suas preocupações com o estado de nosso planeta, que precisa de cuidados para que continue a oferecer as condições necessárias para a vida nele instalada”, disse o secretário.

Esta não é a primeira vez que a CF aborda o tema meio ambiente. Em 1979, a Campanha discutiu o tema “Por um mundo mais humano – Preserve o que é de todos”; em 2004, “Fraternidade e Água – Água, fonte de vida”; e, em 2007, a Amazônia foi lembrada: “Fraternidade e Amazônia – vida e missão neste chão”.

Serviços

Coletiva de imprensa - Abertura da Campanha da Fraternidade 2011, “Fraternidade e a Vida no Planeta” .

Data: Dia 9 de Março de 2011

Horário: 14h30

Local: Auditório Dom Helder Câmara – Sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), SE/SUL - Quadra 801 Conj. B - Brasília (DF).

Fonte: CNBB